PORTALEUCLIDENSE: Juíza libera “Cremosinho” 24h após ter sido preso em boca de fumo

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Juíza libera “Cremosinho” 24h após ter sido preso em boca de fumo

Magistrada alega que o suspeito não tinha antecedentes criminais e não representava risco para a sociedade

No último sábado (18), a dupla de policiais militares Joelson e Tiago, da CETO (Cia de Emprego Tático Operacional do 5º BPM/Euclides da Cunha, grupamento Águia, que usa a motocicleta para rondas ostensivas pela cidade, prenderam na Rua Aristides F. Santos, bairro do Dengo, o jovem Alisson Beserra Melo (19), vulgo “Cremosinho”, que se encontrava em uma residência, juntamente com Ueslei Bonfim Carvalho, natural de Antas BA, no momento da abordagem.
Segundo o sd Joelson, os policiais ao passarem pela frente da casa onde se encontravam Cremosinho e Ueslei, foram tomados por um forte cheiro de maconha que exalava de dentro da referida casa e resolveram fazer uma averiguação. A princípio, Ueslei tentou colocar dificuldade, mas acabou permitindo o acesso ao interior da residência, onde o cheiro da cannabis sativa era mais intenso. Na DT – Delegacia Territorial de Euclides da Cunha, agentes e escrivães de serviço também reclamaram do forte odor desprendido pela erva maldita que tomava conta do ambiente.

O policial, ao adentrar ao local onde estava guardado o entorpecente, Ueslei aproveitou para evadir-se pela porta dos fundos, deixando na casa, o documento de identidade (RG) e o veículo que utilizava, uma motocicleta Yamaha YBR, cor azul, placa EHA 4380, licença de Santos SP. 

No local, em poder de Alisson, foi encontrada a carteira de identidade de Andreia Helena Pires da Silva, uma conhecida traficante com atuação na região de Jeremoabo BA. Assim como Ueslei Bonfim, Andreia vinha sendo observada e já se sabia de sua atuação no tráfico de drogas em Euclides da Cunha, segundo informou o policial Joelson.


Ainda no local, foi encontrado um saco com razoável quantidade de semente de cannabis sativa (maconha), além de 23 pacotes plásticos de cor branca, pesando 50g cada um, e várias embalagens contendo maconha com peso diversificado, duas balanças de precisão - largamente usadas por traficantes para pesar cocaína, maconha, crack, etc., além de um aparelho de telefone celular da marca LG. 


As drogas e objetos apreendidos, após terem sido apresentados à autoridade de plantão na 1ª DT/Euclides da Cunha, foi encaminhado para análise e perícia no DPT-Departamento de Polícia Técnica. Na pesagem da droga, a balança acusou 1,5Kg.

Em seu depoimento, Alisson disse que é marceneiro, que tem o 2º grau de instrução completo; que é usuário de droga e estava no local para comprar maconha. Em seu depoimento, o sd Joelson informou que Cremosinho já foi abordado várias vezes por guarnições da PM, em rondas ostensivas pela cidade, quando se encontrava na companhia de outras pessoas envolvidas com drogas, muito conhecidas da polícia.


SUPRESA GERAL NA POLÍCIA: Após ouvir as partes envolvidas (policiais militares e o suposto traficante), a autoridade de plantão determinou o recolhimento de Alisson ao xadrez da carceragem do CPC – Complexo Policial Civil, onde permaneceria à disposição da Justiça da Comarca de Euclides da Cunha.

Em cumprimento ao prazo estabelecido pelo Judiciário para apresentação do inquérito para a autoridade de plantão no Judiciário, a autoridade policial, após enquadrar o apresentado no artigo 33 da Lei de Tráfico de Drogas e entorpecentes, cumpriu formalmente todos os procedimentos legais.

Na tarde deste domingo (19), menos de 24 horas, após a prisão de Alisson, a autoridade de plantão na 1ª DT, foi comunicada sobre a liberação imediata do acusado, inclusive com a dispensa da cobrança de multa (fiança), para surpresa geral de todos os agentes públicos de segurança que haviam atuado neste caso.

Em seu despacho, a magistrada de plantão (juíza substituta), entre outras alegações, colocou que Alisson Beserra Melo não tinha antecedentes criminais; não representava risco para a sociedade, deliberando pela soltura imediata do acusado, caso ainda se encontrasse preso. 


Sem ter mais o que fazer, não restou alternativa para o delegado, a não ser cumprir a determinação judicial. Alisson, ou, Cremosinho, saiu pela porta da frente da DT, livre, leve, solto. 

Como nunca havia passado pelo crivo da polícia, talvez, essas horas que passou atrás das grades, tenha servido para fazer uma reflexão e ver que é jovem, tem uma profissão honrada, escolaridade bem acima de outros jovens que não têm profissão definida e grau de escolaridade beirando ao analfabetismo, quando não os são totalmente, funcionalmente. 

Muitos que se envolveram com o tráfico, começaram como usuários de maconha e passaram a vender drogas para sustentar o vício e praticar ostentação, tiveram a vida ceifada por meio de execução violenta à bala, quando passaram a dever ao traficante fornecedor e o débito tornou-se difícil de pagar. 


Para esses jovens que deveriam estar estudando, trabalhando como um profissional honesto, a preciosa vida tirada, é a forma de quitação do débito contraído, sob o fogo traiçoeiro de armas potentes do tipo pistola 380, 9mm, espingarda calibre 12, com vários tiros pelo corpo e o disparo de misericórdia na cabeça, para que não haja chance de sobreviver. É a chamada “lei do tráfico”, que não aceita habeas corpus, não leva em conta antecedentes criminais, se é réu primário, se tem uma profissão, endereço certo. 

O julgamento é feito por um só. A sentença prolatada é a pena de morte determinada pelo chefão, bem ao contrário da Lei aplicada pelos magistrados.

euclidesdacunha.com

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