PORTALEUCLIDENSE: Laranjas

sábado, 24 de setembro de 2016

Laranjas

DAVID SOUZA

Laranjas

Andando dia desses pelas ruas do Cumbe me deparei com alguns santinhos (que de santo não têm nada), de alguns candidatos, catei alguns para dar uma olhada e quem sabe achar uma lixeira onde pudesse depositá-los...
Minha surpresa nem foi tanta, apenas um pouco para me fazer refletir... 
“espera... mas esse aqui não era do outro lado?” – pensei cá com meus botões... 
“Não era um defensor ardoroso das ideias do chefe?” 
“agora de mãos dadas e nessa foto montada ao lado de outro?”
O que fez essa mudança tão repentina acontecer?
Apenas para reflexão do eleitor, em que (isso mesmo, “em que” e não “em quem”) você vota? Quais as ideias que você defende? Quais as propostas lhe são mais atraentes? Quais as ações dos já vereadores lhe fizeram se sentir honrado ou fizeram mudar de posição quanto ao seu voto nas últimas eleições?
Os caras mudam de lugar de acordo com as suas conveniências e querem nos levar juntos; viramos moeda de troca, poder de barganha 
“-Ei, eu tenho 300 votos? Quanto isso vale?” (imagino essa conversa no fim da tarde em um shopping de Salvador).
Quem antes se enchia de ódio hoje se ajoelha aos pés...
Quem ontem defendia com unhas e dentes hoje arranha e morde.
Que poder é esse que corrompe as ideias, os princípios, os ideais?
Seria Dinheiro, sede de poder, ego, conveniência, ou seria o fato de terem ouvido seus eleitores que o fizeram mudar de ideia?
Pelo menos em casa ninguém apareceu para me ouvir ou sequer me convidou para uma conversa no shopping em Salvador (nem no Boulevard de Feira... dirá em outro).
O que eu sei, amigo, é que somos apenas massa de manobra, poder de barganha, para lhes encher o bolso e lhes dá conforto para eles e os seus...
Enquanto isso uma amiga enterra o pai que morreu em seus braços dentro de seu próprio carro por não conseguir atendimento decente no Hospital local...
Enquanto isso nossos jovens são mortos como animais em extinção...
Enquanto isso o lixo e os urubus voltam a disputar espaço com a gente.
Enquanto isso todos se calam, sorvendo grandes goles de hipocrisia, falsidade e traição, apenas por um trocado, um afago, um beijo na testa, um pacote de Ki-suco e um bolo de trigo...
O circo está armado e não somos nem os palhaços, nem a plateia, estamos do lado de cá da lona, escolhendo quem entra e quem sai lhes pagando o salário e lhes lambendo as botas, enquanto, eles, se abraçam e se esfaqueiam em nome de algo que não acreditam...
Hoje dormem de azul ou de vermelho e quem sabe amanhã acordarão laranjas.
Nós? Vamos seguindo o caminho a procura de uma lixeira!

David Souza

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