PORTALEUCLIDENSE: Morte de Ezequiel (Parte II): prisão do assassino

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Morte de Ezequiel (Parte II): prisão do assassino

Trabalho de investigação prendeu um dos três adolescentes envolvidos no assassinado do adolescente Ezequiel


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A sandália de tiras cor de rosa e solado preto, que o padrasto de Ezequiel viu na casa de Galego (menor de idade que atraiu Ezequiel ao local do crime), serviu de pista para as investigações, identificação e prisão e apreensão de dois dos três criminosos. Um elemento foi chamado de Danilo, que segundo Galego, é de cor negra, cabelos encaracolados, usava barba, conseguiu evadir-se. Acredita o delator, que este é um parceiro de Ronaldo de Jesus Dias - principal acusado do assassinato, vulgo Conrado, não tenha residência em Euclides da Cunha, pois nunca o vira por aqui.


PRISÃO DO ASSASSINO: Depois de ouvirem o interrogatório de Galego e que Conrado é dono de uma borracharia na localidade de Alecrim, distante cerca de 2,5 km do centro da cidade, onde também reside uma avó do criminoso, a equipe se deslocou para o local indicado, mas não havia ninguém na casa. Os investigadores não desistiram e continuaram as buscas, quando localizaram Conrado, que se encontrava em uma roça no fundo da casa, ao lado de um tanque, com uma vara de pescar.

Ao ser perguntado sobre a participação dele no crime, disse não saber de nada, que passara a manhã toda pescando na companhia de um primo chamado Fábio; que não possuía arma de fogo. Uma busca foi dada no local, porém a arma do crime não foi encontrada. Conrado já sabia que a polícia o procurava, pois teria sido avisado por uma parente, por meio de uma ligação de telefone celular. Um primo de nome Fábio, que reside próximo, também sabia do crime, pois Conrado havia lhe procurado e a ele entregara o revólver usado no crime, com a recomendação para esconder, pois havia matado uma pessoa na cidade.

A equipe se deslocou para a casa de Fábio, que ao ser abordado quando retornava do trabalho para casa, negou estar com o revólver. A equipe insistiu em dizer que ele sabia sim, até que confessou ter sido procurado por Conrado que lhe pedira para esconder o revólver, além de confessar que havia matado uma pessoa na cidade e a polícia estava a procurá-lo. 

A arma, um revólver da marca Taurus, calibre 32, cor preta, cabo de acabamento perolado, oxidado, numeração remarcada e municiado com quatro projéteis, foi localizada escondida junto a uma cerca da roça, recolhida e apresentada à autoridade policial, juntamente com o criminoso. Caía por terra o álibi apresentado pelo criminoso.

Por volta das 16h, menos de cinco horas após denúncia do achado do corpo, o crime foi desvendado pela equipe de agentes policiais do serviço de investigação da 25ª Coorpin, num célere e eficiente trabalho de investigação.

OUTROS CRIMES: alguns crimes de homicídio e tentativa de homicídio, até então, ainda não identificados os seus autores, foram esclarecidos. Apesar de ter negado participação e execução na morte de Ezequiel, Conrado confessou ter assassinado à facadas e pedradas na cabeça, o jovem Entoni, também delinquente contumaz, com passagens pela polícia, envolvido com o tráfico de drogas em Euclides da Cunha, crime ocorrido no mês de novembro de 2015, no bairro das Casinhas.

Segundo Conrado, em seu depoimento à polícia, Entoni tratava-se de um desafeto que o ameaçava de morte, o desafiava e atrapalhava nos “negócios”. Conrado chamou a atenção da equipe que o interrogava, pela frieza como se apresentava, sem nenhum sinal de arrependimento. 

Negou também ter participado dos homicídios contra “Ita”, cujo corpo fora encontrado por populares em um campo de futebol na localidade de Malhada Grande, meio rural de Euclides da Cunha, após uma festa; porém, confessou ter sido espancado e ameaçado por Ita. Sobre outro homicídio ocorrido neste mês de agosto, contra Daniel Santos de Jesus, vulgo “Dani”, também envolvido com o tráfico de drogas, cujo corpo fora encontrado em uma propriedade rural à margem da BR 116/Norte (Santos Dumont), Conrado negou ter participado. A autoridade policial aguarda o resultado do exame pericial da arma apreendida, usada para matar Ezequiel, que poderá provar ou não o emprego da mesma nos homicídios de Dani e Ita.

NA MORTE DE ENTONI, OUTRA CILADA PARA MATAR: residente no Conjunto N. Sª de Lourdes, Galego, que conhecia muito bem Entoni, revelou que Lucas, elemento muito perigoso, foi até a casa de Entoni e o atraiu para o local do crime, onde Conrado já se encontrava e o atacou a golpes de faca de mesa, cuja lâmina não resistiu e quebrou durante a aplicação dos golpes. O corpo foi arrastado para outro local e Conrado, que fora para matar o seu algoz, terminou o serviço com uma pedra, ao desferir vários golpes na cabeça da vítima, até a morte. Galego disse não saber o paradeiro de Lucas, que sumiu do bairro.

EMBOSCADA PARA MATAR “PADEIRO” ATINGIU INOCENTE: mais uma vez, Galego participou de uma emboscada para eliminar outra pessoa. O fato aconteceu no último mês de julho, também nas “Casinhas”, onde residia um elemento conhecido pelo vulgo de “Padeiro”, que vinha sendo observado pelo Serviço de Investigação da 25ª Coorpin, mas, muito esperto, conseguiu, com êxito, escapulir, em tentativas que foram feitas para prendê-lo.

Segundo Galego, participaram desta tentativa de morte, dois elementos conhecidos pelo vulgo de “Cheirinho” e “Presa”. Padeiro estava marcado para morrer, por ter sido considerado, por Galego, alcaguete que estaria passando para a polícia os roubos de motocicletas ocorridos na cidade.

No dia da tentativa, Galego se dirigiu até a casa de Padeiro e o chamou. Mas, Padeiro, que não era um malandro bobo, saiu pela porta do fundo, enquanto Galego se escondia debaixo de um carro que se encontrava estacionado na rua. Ao perceberem que Padeiro estaria escapulido pelo fundo da casa, Cheirinho e Presa abriram fogo na tentativa de alvejá-lo, porém sem sucesso, pois o alvo conseguira escafeder-se.

“Curioso, o morador Sidnei, que se encontrava em sua casa, saiu à rua para ver o que estava se passando, com tantos tiros deflagrados, e foi atingido com um disparo feito por Cheirinho. “Ele foi ‘curiá’ (saber o que se passava na rua) e Cheirinho atirou nele”, contou Galego. Ainda de acordo com Galego, Sidney não foi vítima de bala perdida. Houve a intenção do marginal em atingi-lo, provavelmente, para não ser reconhecido.

Após ouvir Galego, a autoridade representou junto ao Ministério Público Regional de Euclides da Cunha, pela internação do adolescente e determinou o recolhimento de Ronaldo de Jesus Dias (Conrado), ao xadrez da carceragem do Complexo Policial Civil, onde permanecerá à disposição da Justiça da Comarca de Euclides da Cunha.

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