PORTALEUCLIDENSE: Inaugurada, UPA de Euclides da Cunha ainda não tem infraestrutura adequada

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Inaugurada, UPA de Euclides da Cunha ainda não tem infraestrutura adequada

UPA de Euclides da Cunha foi inaugurada há uma semana, mas ainda não tem infraestrutura adequada

No dia 18 de dezembro, uma comitiva formada por políticos, secretário estadual da Saúde, deputado José Nunes, prefeita Fátima Nunes, secretários, entre outros, tendo à frente o Governador do Estado, foi inaugurada em Euclides da Cunha a Unidade de Pronto Atendimento 24h – UPA, uma unidade de saúde com estrutura de complexidade intermediária entre as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e as urgências hospitalares.
Por se tratar de uma cerimônia oficial de inauguração, que geralmente evidencia que determinada obra está pronta para atender às demandas projetadas, parte da população acredita que a UPA está funcionando em conformidade com as regulamentações do Ministério da Saúde - MS, segundo se propaga pelas mídias sociais. Algumas pessoas até já são atendidas no local, porém, sem conhecer que parte da estrutura ainda não está integralmente adequada às exigências do Ministério da Saúde. Outrossim, o portal eletrônico do Ministério do Planejamento, que gerencia as obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), indica que o empreendimento ainda está “em obra”, com dados atualizados em junho deste ano.


Seguindo a sugestão de internautas e atento às estranhezas de alguns cidadãos, o site euclidesdacunha.com foi conferir de perto o estado da estrutura físico-funcional desta unidade de saúde. A visita ocorreu no último sábado (24), quando foram notadas precariedades em condicionamentos básicos para o pleno funcionamento da nova unidade de saúde do Município, anunciada como um “novo hospital de Euclides da Cunha” que poderia melhorar a saúde pública municipal.

No entanto, uma enquete do site euclidesdacunha.com, realizada entre os meses de novembro e dezembro, revela que a saúde é a área em que o prefeito eleito, Dr. Luciano Pinheiro, deverá dar mais atenção durante seu mandato. Os votos para essa érea representaram 50,8% dos opinantes; 49,2% das opiniões foram para Emprego e Renda (18,1%), Educação (12,5%), Agricultura (7,5%), Esportes e lazer (3,5%), Infraestrutura (3,5%), Ação Social (3,3%), e Trânsito (0,8%).

As principais deficiências da UPA, registradas pela nossa equipe de reportagem, referem-se às instalações elétricas e hidráulicas, adequação de piso, rampas de acesso e grades de proteção, que podem até ser considerados pequenos detalhes, mas há uma gama de problemáticas que podem ser observadas a partir disso.


Logo na entrada, a variedade de obstáculos é discrepante. Dos três acessos à área da unidade, dois são verdadeiros obstáculos e um deles não apresenta segurança a quem passa pelo local, especialmente para pessoas portadoras de necessidades especiais, deficientes físicos cadeirantes, patologias neurológicas, pois não há rampa de acesso da rua para a calçada nem a grade de proteção lateral nas rampas construídas – isso se repete na parte interna, na rampa que dá acesso ao setor de atendimento ao público; além da inexistência do piso antiderrapante. Ter a parte da frente pavimentada seria uma boa iniciativa para facilitar o acesso, tanto de cadeirantes pelo lado destinado às pessoas como pela entrada de veículos pela rampa do lado direito. Mas o que se tem na frente é apenas uma via pública tratada com resíduo de pedra calcaria, popularmente conhecido como “pó de brita”, que pode provocar o surgimento de valas e buracos provocados por escoamento de água pluvial, nos períodos chuvosos.


No que tange a rede elétrica, quem passa pela frente da UPA pode notar facilmente que toda a estrutura elétrica não tem uma fonte de energia dedicada, isto é, a fiação não está ligada ao transformador de energia que tem os cabos prontos para serem conectados à rede de alta tensão, para que possa redistribuir toda a corrente de energia elétrica pelo medidor de energia – até então, inexistente. Pelo que foi observado, quatro cabos de energia de bitola mais fina passam por trás do medidor elétrico e repassa a corrente elétrica para uma central de energia que comanda a distribuição para toda a infraestrutura. Além disso, há, na parte interna, um gerador, objeto de locação, à disposição do Município, conforme apurou o site euclidesdacunha.com, mas, no dia em que foi observado, os cabos conectores deste equipamento, que deveriam estar ligados a um aparelho que controla diferentes fontes de energia, simplesmente estavam jogados no chão, desconectados, e isso indica que o equipamento pode estar apenas gerando mesmo é despesa para o Município, pela falta de uso. Do jeito que fora encontrado, uma simples queda no fornecimento de energia pode resultar em falta de atendimento para a população, até que todos os equipamentos estejam funcionando conforme portaria do MS.


Quanto às instalações hidráulicas, problemas também podem ser constatados na parte frontal do imóvel, pois na caixa que deveria conter um hidrômetro há, apenas, duas pontas de canos desprotegidas, evidenciando que a água usada na unidade precisa ser adicionada aos reservatórios por outro meio qualquer. Neste dia, havia água corrente nas instalações hidráulicas, distribuída a partir de um reservatório próprio. Há de se observar também que os banheiros de alguns leitos não possuem chuveiro, para que os pacientes possam tomar um banho, por exemplo, embora o atendimento a estes seja limitado ao período máximo de 24 horas. Mesmo assim, seria muito útil disponibilizar aos cidadãos a possibilidade de deixarem as instalações da UPA “sem o cheiro de hospital”, como se diz numa linguagem popular.


O atendimento aos pacientes envolve uma série de complicações, conforme apurou o vereador Cláudio Lima – um técnico em Saúde Pública de nível superior, com experiência comprovada em vários municípios e um nome confirmado para assumir a pasta da Saúde do Município. Segundo Cláudio Lima, no último dia 16 de dezembro, a Secretaria Municipal de Saúde fechou as Unidades Básicas de Saúde onde funcionam os PSFs (Programa de Saúde da Família) e CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) e remanejou os profissionais de saúde da rede de atenção básica e da rede de saúde mental para viabilizar o funcionamento da UPA.


Esses profissionais deveriam estar no CAPS e nos PSF's, pois são lotados em programas de saúde contínuos, e o Governo Federal repassa os recursos de custeio mensalmente para funcionamento dessas unidades mais básicas. Inclusive, o programa Mais Médicos disponibilizou médicos cubanos para quase todas as unidades.

Essa problemática expõe algumas indagações, bem como: o Município irá devolver ao Ministério da Saúde, esses recursos pelo fechamento dos PSF's e CAPS? Ter esses profissionais de outras unidades de saúde escalados na UPA, evidencia que os outros serviços não funcionarão mais no Município, ou não?


Consultado sobre as atuais condições de funcionamento da UPA, Cláudio Lima, que conhece bem os tramites legais para o funcionamento estrutural do setor de saúde, observa que os problemas apresentados nesta unidade de Euclides da Cunha, inviabilizam o funcionamento correto da recém-inaugurada unidade de saúde, pois a estrutura física apresenta precariedade na distribuição de energia, não possui gerador próprio, não possui licenciamento do Estado, apresenta deficiência na parte hidráulica e aparenta ter acabamento e pintura com material fora das especificações exigidas para uma unidade de atendimento médico e hospitalar.

Espera-se que os problemas sejam revistos e reparados, para que o Estado possa emitir o Alvará de funcionamento da UPA, conforme estabelece as normas do Ministério da Saúde, para que a população euclidense receba um atendimento ininterrupto e seguro, que não seja, meramente, uma “obra de fachada”.

euclidesdacunha.com



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