PORTALEUCLIDENSE: Música da banda Dire Straits embala sono eterno de Ayrton Lee

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Música da banda Dire Straits embala sono eterno de Ayrton Lee

A morte prematura do músico euclidense comoveu a população e muitas pessoas foram para as calçadas assistir à passagem do esquife

O menino magrinho nascido no meio da caatinga do Sertão de Euclides da Cunha, o caçula de uma família de três irmãos, constituída da união matrimonial de seo Fausto Oliveira e dona Maria Santana Oliveira, na Fazenda Estaca Zero, que com a divisão territorial passou para o Município de Canudos BA, aos sete anos de idade já tocava cavaquinho, ensinado e orientado pelo amigo “professor” “Gavião dos Lopes”, da região vizinha do São Bento, pertinho da Fazenda Tromba, onde nasceram Pedro Sertanejo, Tio Joca, Catarino (Forró Arrumadinho) e o velho mestre dos 8 baixos Aureliano Valério. Euclidesdacunha.com

VÍDEO:


Talvez, cansados da vida da caatinga e querendo dias melhores para a família, seo Fausto, no ano de 1979, como todo bom e destemido sertanejo, pegou a prole e rumou com destino a Euclides da Cunha, onde se estabeleceu juntamente com dona Maria Santana, os filhos Luís e a jovem Dilmacy, além de o caçula batizado com o nome de Airton Santana de Oliveira, apelidado como “neném”.


Aos 17 anos de idade, logo se enturmou com Paulo Oliveira, que também liderava um grupo de jovens iniciantes na música, num período em que o Axé Music despontava como o grande movimento musical inovador de Salvador, e se espalhou por toda a Bahia e em vários estados brasileiros, influenciados pelo excelente músico instrumentista, cantor e compositor Luís Caldas, um artista interiorano de Feira de Santana, que se destacava como tecladista da banda Acordes Verdes no carnaval de Salvador.


Paulo Oliveira criou uma banda formada essencialmente por jovens embalados pelos grandes cantores, cantoras e bandas baianos, da época, entre eles, Sara Jane, Gerônimo, Chiclete com Banana, Netinho, Margareth Menezes, Gente Brasileira, entre tantos influenciadores que tinham cadeira cativa no programa do Chacrina, maior programa de auditório da TV brasileira, transmitido pela Rede Globo.


Paulo Oliveira se auto intitulou “Paulinho Brilhante”, associando o seu nome à Banda Brilhante, que criara, que por vários anos tornou-se uma escola de músicos com formação prática, pois ninguém sabia nada de escala musical, teoria que, para a garotada, era um “bicho de sete cabeças”. Mesmo assim, desta escola musical saíram bons músicos que passaram a atuar profissionalmente em várias bandas da região e se destacaram em bandas de prestígio no Estado da Bahia, inclusive na capital, como instrumentista, percussionista, vocalista.


Mas, o menino compridão, tocador de cavaquinho se apaixonou pela guitarra elétrica e com este instrumento maravilhoso iniciou um namoro que logo transformou-se em casamento. Airton ou neném, como era chamado, não demorou muito para mostrar a sua intimidade com o instrumento pelo qual se apaixonara e passou a ser o principal instrumentista da Banda Brilhante do professor Paulinho. O sonho de tocar com grandes nomes da música baiana não lhe saía da cabeça e Airton rumou para a capital baiana e não tardou muito para tocar a sua guitarra na banda que acompanhava a cantora Sara Jane, que explodiu nacionalmente com o sucesso A Roda.



Já enturmado no meio artístico de Salvador e com fama de ser um hábil guitarrista capaz de criar arranjos musicais e improvisar sem sair do tom, foi convidado para tocar com Paulinho Boca de Cantor, um dos grandes expoentes da música baiana, ex-integrante do grupo musical Os Novos Baianos, que tinha em sua formação os músicos Pepeu Gomes, um dos maiores guitarristas do mundo, Morais Moreira, Dadi, Baby Consuelo e o poeta Luís Galvão.


O carnaval de Salvador, assim como acontece atualmente, tinha animação dos grandes trios elétricos liderados por Armandinho, Dodô e Osmar Macedo. Foi nas décadas de 1970/80, que bandas de grande sucesso na capital baiana passaram a tocar para o povo encima de um trio elétrico. E lá se foi Airton Santana, que passara a adotar o nome artístico de Ayrton Lee, tocar na banda e trio elétrico Skulaxo, em mais uma excelente oportunidade de tornar-se conhecido e respeitado no meio musical de Salvador.


Mas a saudade do interior falou mais alto e o então, Airton Santana, agora, Ayrton Lee trocara o litoral pelo sertão e retornara para Euclides da Cunha. Fã de grandes bandas internacionais de rock end roll, espelhou-se no artista Mark Knopfler (Mark The Beast), que em 1977, na Inglaterra, criou a Banda Dire Strauts, considerada entre as melhores do mundo, no gênero Roots rock, blues rock, pub rock. Mark Knopfler fazia vocal e guitarra e em 1978, Dire Straut explodiu mundialmente com a música Sultans of Swing, que vendeu mais de 100 milhões de discos.


Ayrton Lee, assim como outros ótimos guitarristas, passaram a executar, em solo de guitarra, a música Sultans of Swing, em todos os seus shows, sempre aplaudido pela maestria como dedilhava nas cordas de sua velha guitarra, companheira inseparável, que tocava meio curvado como se estivesse abraçando um grande amor. Não havia show das bandas por onde passou como músico instrumentista que não houvesse o solo de guitarra da música Sultans of Swing. Foi assim na Banda Eclipse Solar, de Ribeira do Pombal e Flor D’Açucena, de Euclides da Cunha, na qual ingressou em 1997 e ficou por cerca de três anos.


Juntamente com o irmão Luís Santana, fundou a Banda Ska Music, que teve sobrevida de 4 anos, quando mudou de identidade passando a chamar-se Desejo de Mulher e, assim permanecer há 20 anos. Luís, atualmente, atua como produtor e diretor de palco. Muito triste com a perda do irmão, contou para o site euclidesdacunha.com, que Ayrton estava muito feliz, que queria melhorar mais e mais a qualidade do trabalho apresentado, o visual da banda e, para isso, mesmo já tendo dado início ao cumprimento da agenda de shows para os festejos juninos, começando pela Chapada Diamantina (Ruy Barbosa), na última quinta-feira (15), viajara de avião para São Paulo, onde comprara mais equipamentos eletrônicos de efeitos para reforçar a iluminação e dar mais destaque visual aos artistas no palco. “Infelizmente, quis o destino que esse desejo não se realizasse” pontuou. Luís, juntamente com a família de Ayrton Lee, confirmaram que apesar de o momento de profunda tristeza, a Banda Desejo de Mulher vai cumprir integralmente a sua agenda de shows.



O velório teve dois momentos, inicialmente o esquife foi levado para a casa de familiares no bairro Jeremias e depois transportado para a Igreja Família da Graça, da qual Ayrton Lee era membro batizado há cerca de quatro anos, onde chegou por volta das 10h30, e foi recebido por dezenas de pessoas que o aguardavam. 
A urna fúnebre foi posicionada ao lado de um ambiente especialmente criado com elementos da música: pôster de Ayrton ladeado de várias guitarras de uma empresa fabricante de instrumentos musicais, da qual o músico era representante, além de a velha e inseparável guitarra que tanto tocara, pedaleira e o repertório tipicamente de músicas juninas tradicionais que havia preparado para animar os festejos de São João agendados.


Muito triste e visivelmente abalada pela grande perda familiar, Yalli de Fátima, com quem era casado e tinha uma filha de nome Yanna Oliveira Almeida, era confortada pelos amigos e amigas, bem assim os irmãos, tia, entre outros. À tarde, teve início às homenagens de despedida presididas pelo casal de bispos Ingrid e Bruno Sampaio, com depoimentos emocionados de pastores de outras igrejas, além de músicos e amigos de Euclides da Cunha e de outras cidades. O cantor Sandro de Castro, que foi companheiro de Ayrton Lee quando integravam a Banda Flor D’Açucena, juntamente com esposa Evelyn e filhos, veio de Feira de Santana, bem assim o cantor Acácio, um dos mais queridos artistas de toda a região, músicos de Ribeira do Pombal, forrozeiros e não forrozeiros de Euclides da Cunha, Monte Santo, Quijingue, entre tantos outros amigos que foram dar o adeus final ao amigo que acabara de partir para outro plano, de maneira trágica e repentinamente.


Após merecidas e justas homenagens, o cortejo seguiu pelas ruas da cidade e foi seguido por centenas de pessoas a pé, de carro, de moto e, nem mesmo a forte pancada de chuva que caiu foi capaz de afastar as pessoas, muitas sob a proteção de sombrinha, guarda chuva, capa, etc. A morte prematura do músico euclidense comoveu a população e muitas pessoas foram para as calçadas assistir à passagem do esquife, que teve o acompanhamento de cerca de dez carros de som que fazem publicidade na cidade.


Muito triste e visivelmente abalada pela grande perda familiar, Yalli de Fátima, com quem era casado e tinha uma filha de nome Yanna Oliveira Almeida, era confortada pelos amigos e amigas, bem assim os irmãos, tia, entre outros. À tarde, teve início às homenagens de despedida presididas pelo casal de bispos Ingrid e Bruno Sampaio, com depoimentos emocionados de pastores de outras igrejas, além de músicos e amigos de Euclides da Cunha e de outras cidades. O cantor Sandro de Castro, que foi companheiro de Ayrton Lee quando integravam a Banda Flor D’Açucena, juntamente com esposa Evelyn e filhos, veio de Feira de Santana, bem assim o cantor Acácio, um dos mais queridos artistas de toda a região, músicos de Ribeira do Pombal, forrozeiros e não forrozeiros de Euclides da Cunha, Monte Santo, Quijingue, entre tantos outros amigos que foram dar o adeus final ao amigo que acabara de partir para outro plano, de maneira trágica e repentinamente.


Após merecidas e justas homenagens, o cortejo seguiu pelas ruas da cidade e foi seguido por centenas de pessoas a pé, de carro, de moto e, nem mesmo a forte pancada de chuva que caiu foi capaz de afastar as pessoas, muitas sob a proteção de sombrinha, guarda chuva, capa, etc. A morte prematura do músico euclidense comoveu a população e muitas pessoas foram para as calçadas assistir à passagem do esquife, que teve o acompanhamento de cerca de dez carros de som que fazem publicidade na cidade.

MATÉRIA/FOTOS euclidesdacunha.com 

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