PORTALEUCLIDENSE: JOVENS VELHOS (ou de como o conservadorismo nos tira a identidade rebelde peculiar da juventude de nossos dias)

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

JOVENS VELHOS (ou de como o conservadorismo nos tira a identidade rebelde peculiar da juventude de nossos dias)

JOVENS VELHOS
(ou de como o conservadorismo nos tira a identidade rebelde peculiar da juventude de nossos dias)

Como me entristece ao ver jovens tão velhos, travestidos de novos dentro de uma sociedade tão mesquinhamente conservadora e falso moralista...
São tão: “bom dia papai”, “bom dia mamãe”, “Deus Salve a América”, “Sou apreciador dos clássicos da MPB”, “Rock é coisa do demônio”, “Bolsonaro Opressor”, “Tudo posso naquele que...”
Muitas vezes esses jovens têm preguiça de pensar por si só, de questionar, de se rebelar. Estão em busca da remuneração ideal, da casa ideal, do carro perfeito, do casamento exemplar e dos filhos feitos em série para abarrotar as escolas particulares onde Piaget jamais passará sequer na calçada.

São jovens que Leem o Pequeno Príncipe e jamais leram João Ubaldo, que ouvem os revolucionários da MPB e Cazuza, mas abominam Criolo e Froid. Que curtem Anos 80 como pseudo-intelectuais e não aceitam Zeca Baleiro e desconhecem Seu Pereira e Coletivo 41... Conhecem a estrada, mas acham pesada demais a mochila...
São Jovens que ouvem Olavo de Carvalho e sentem náuseas quando Leandro Karnal desfila sua Inteligência sem alarde e “lacra” na cara dos conservadores puritanos.
Ah... Esses jovens que amam o MBL e não aceita, Marighella.
Que ouvem o ultimo discurso do Reverendo Martin Luther King, mas acha que o negro brasileiro sofre do mal do “vitimismo”.
Que lê a bíblia e repete aos quatro cantos “Bandido Bom é Bandido Morto”.
Que acha o massacre de Canudos um absurdo, mas ri da Candelária e do Carandiru.
Soma-se a isso o discurso de ódio, de morte aos que pensam o contrário, como se ser contrário lhes fosse uma ofensa?
Os que nasceram com um desejo diferente deles devem ser tratados de forma vexatória, discriminados, enxotados, marginalizados...
São tão superficiais... Nas redes sociais... Nas conversas no colégio... No trato com a coisa simples...
Mas são tão sabidos, sabem tudo da escola, tudo dos documentários e tão pouco do vizinho, da pele do outro, da dor alheia, dos parentes pobres, da raça diferente.
Com discursos vazio lá vão eles, sem jamais mudar nada do mundo, pois se não formos jovens para mudar algo, vem o trem da história e nos atropela sem termos sido nada, a não ser seres de olhos no passado, sem ver o presente a sua volta e em direção a um futuro onde sequer serão lembrados...
Que país é esse que estamos preparando para os que virão?
Cabe aqui uma reflexão? Sim! Talvez, caso fossem capaz de se despirem da capa conservadora que lhes vestiram e pudessem abrir os olhos para apreciar a arte, sem questionar o nu, a música sem questionar a classe, a história sem lhe dedicar o verdadeiro contexto... Mas enquanto a exploração do mais fraco, a opressão, o machismo, homofobia, racismo, fascismo, intolerância religiosa e tantos requisitos para se enquadrar nessa juventude feita para serem cordeiros dos poderosos e lobos dos oprimidos (também conhecidos como massa de manobra igual a papai e mamãe) que pensam que amanhã serão ricos e poderosos como seus ídolos (ou algozes)... enquanto existirem o mundo partirá, inevitavelmente, para o que suas próprias bíblias lhes alerta:
“E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará...” Mt. 24:12

4 comentários:

  1. BELO CACHORRO BOSTANARO, ESSE HOMEM É MAIS BANDIDO QUE TEMER!!!

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  2. Brilhante texto Marcelo e, Nobre Reflexão !
    O conservadorismo nos tira a História !

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  3. Excelente visão. Parabéns pelo texto e pela coluna.

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