PORTALEUCLIDENSE: PR não deve apoiar Bolsonaro se presidenciável escolher vice de outro partido

sábado, 14 de julho de 2018

PR não deve apoiar Bolsonaro se presidenciável escolher vice de outro partido

Sexta maior bancada da Câmara dos Deputados, com 40 integrantes, o PR não deve apoiar o pré-candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL), caso ele escolha por um vice de outro partido.
A parceria é considerada crucial no xadrez eleitoral porque ampliaria o tempo de propaganda de rádio e televisão do deputado e a capilaridade nos estados, fatores que podem ser determinantes no resultado das urnas.

Após divergências entre uma aproximação com o centrão formado por DEM, PP, PRB e Solidariedade ou apoio ao PT, o PR tem caminhado por uma aliança com Bolsonaro. "É a tendência mais forte agora", afirmou ao HuffPost Brasil o líder do PR na Câmara, deputado José Rocha (PR-BA). Nos bastidores, parlamentares têm dito que a resistência de Valdemar Costa Neto, forte liderança da sigla, ao deputado tem diminuído.

Nome preferido no partido para ser vice de Bolsonaro, o senador Magno Malta (PR-ES) deve decidir nos próximos dias se irá compor a chapa presidencial ou se tenta reeleição. Em 2010, ele registrou a 2ª maior votação para o Senado pelo Espírito Santo, com 1.285.177 votos.

Nos últimos meses, a consolidação do "casamento" dos dois, como os aliados chamam, teve idas e vindas. Na filiação de Bolsonaro ao PSL, Magno Malta esteve ao lado do deputado, mas negou que seria vice. Nas articulações, o nome continuou como o mais forte. Na última quarta-feira (11), o senador afirmou ao Diário do Nordeste que optaria por tentar a reeleição, mas depois voltou atrás e disse que ainda estava considerando a corrida ao Palácio do Planalto.

"Vai ser uma reunião atrás da outra nos próximos dias", afirmou ao HuffPost Brasil o deputado Capitão Augusto (PR-SP), principal articulador da aliança entre as duas legendas. Ele acredita que Malta aceitará o cargo de vice. De acordo com ele, o prazo final é na próxima semana porque as convenções estaduais do PR começam na próxima sexta-feira, 20 de julho, e a decisão nacional influencia nos acordos regionais. A convenção nacional, contudo, será apenas em 4 de agosto. Já a do PSL está prevista para 22 de julho.

Capitão Augusto afirma que o partido não está especulando nomes caso Magno Malta recuse a oferta, mas afirmou que há quadros possíveis. "Ele ser vice não é condição sine qua non para fechar [a aliança]. Se não for, temos excelentes nomes. Militar, civil, homem, mulher. Temos pessoas Ficha Limpa, honestas e com ideologia de centro-direita", afirmou.

Defensora da flexibilização do uso de armas, Magda Mofatto (PR-GO)
é uma das apoiadoras presentes nas reuniões
suprapartidárias de parlamentares apoiadores de Bolsonaro.
Uma vice mulher pra Bolsonaro
Dentro do partido, o nome da deputada Magda Mofatto (PR-GO) é um dos citados como plano B, mas lideranças da sigla negam ter tratado o assunto com ela. Defensora da flexibilização do uso de armas, a parlamentar é uma das apoiadoras presentes nas reuniões suprapartidárias de parlamentares apoiadores de Bolsonaro.

Uma vice mulher seria uma tentativa de melhorar o desempenho com o eleitorado feminino. De acordo com pesquisa Datafolha publicada em 11 de junho, o pré-candidato tem 11% de intenções de voto entre as mulheres, no cenário com Lula na disputa. O índice é de 23% entre homens.

De acordo com Capitão Augusto, indicar o número 2 na chapa é condição para a coligação. "O PR tem que entrar com o vice. É improvável um apoio se não for assim", afirmou. Fora da sigla, Bolsonaro tem considerado Janaína Paschoal (PSL), uma das autoras do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, ou o general da reserva Augusto Heleno (PRP).

Se a aliança com o PR se consolidar, Bolsonaro ganha tempo na propaganda de rádio e televisão. Ele somaria os 2 minutos do PSL com 8 minutos e 58 segundos do partido de Valdemar. Já o PRP daria apenas mais 32 segundos. Por outro lado, o PR acredita que a popularidade do presidenciável pode ajudar a ampliar a bancada na Câmara. 

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