Nos 500 dias prisão de Lula, Dilma chama episódio de ataque à democracia


No marco de 500 dias da prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá, a ex-presidente Dilma Rousseff voltou a chamar o episódio de ataque à democracia.
Em artigo publicado na Folha de S. Paulo nesta terça-feira (20), ela diz que “tudo começou” quando foi derrubada pelo impeachment, em 2016.

“A prisão de Lula completa nesta terça-feira (20) 500 dias de ilegalidade e de ofensa ao Estado democrático de Direito. Representa o desrespeito às garantias constitucionais, ao devido processo legal, à presunção de inocência e aos direitos humanos. É uma ameaça. Se Lula está preso ilegalmente, qualquer um pode ser. Tudo começou quando fui derrubada pelo golpe de 2016, sem que houvesse cometido crime”, diz o texto.
A petista cita um poema Martin Niemöller, que inspirou Bertold Brecht e Eduardo Alves da Costa, e tornou-se símbolo da crítica à indiferença diante do nazismo. Na sequência, ela afirma que os brasileiros também estão indiferentes diante da injustiça.
De acordo com a ex-presidente, as mensagens entre o ministro da Justiça, Sérgio Moro, à época juiz à frente da Operação Lava Jato, e procuradores responsáveis pela investigação revelam “que Lula foi vítima de uma trama para destruir sua reputação e roubar sua liberdade”.
Dilma cita o vazamento ilegal de conversa entre ela e Lula feito por Moro em março de 2016 e o vazamento da delação do ex-ministro Antonio Palocci, às vésperas da eleição de 2018, também de responsabilidade do ex-juiz. “Após a eleição, o juiz foi convidado a se tornar ministro do presidente eleito graças às suas interferências ilegais. E ficou por isso mesmo”, diz o texto da petista.
A ex-presidente também faz críticas ao governo de Jair Bolsonaro. “O Brasil está sendo devastado por um governo neofascista na política e neoliberal na economia, encabeçado por um presidente escatológico e intolerante”, diz. “O resultado é vergonhoso: um inocente está preso e um neofascista despreparado está no poder”, completa Dilma.
Por fim, a petista defende a anulação do julgamento do caso do tríplex e a absolvição de Lula. ”#LulaLivre significa paz e democracia para o Brasil”, escreve.

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