Coronavírus: o que é pandemia e por que a OMS ainda não declarou uma no caso atual


Os primeiros casos do novo coronavírus foram confirmados na China cerca de um mês atrás. Com a chegada do vírus a mais de 20 países, médicos e cientistas estão preocupados diante da velocidade de disseminação da doença.

Na quinta-feira (30/01), a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou emergência de saúde pública de interesse internacional — o que, oficialmente, significa a ocorrência de um "evento extraordinário que constitui um risco à saúde pública para outros Estados por meio da disseminação internacional de doenças e potencialmente exige uma resposta internacional coordenada".

Até o momento, no entanto, não foi declarado um surto global ou uma pandemia.

Mas por quê? E qual é a chance de isso acontecer?

O que é uma pandemia?

O termo pandemia é usado para descrever situações em que uma doença infecciosa ameaça muitas pessoas de forma simultânea no mundo inteiro.

Um exemplo recente é o da gripe suína, em 2009, à qual é atribuída a morte de centenas de milhares de pessoas, de acordo com a estimativa de especialistas.

As pandemias acontecem, em geral, quando há um vírus novo capaz de infectar seres humanos com facilidade e de ser transmitido de uma pessoa a outra de forma eficiente e continuada.

O novo coronavírus, pelo que se sabe até agora, tem essas características.

Assim, sem uma vacina contra o agente patogênico ou tratamento que possa prevenir a doença, conter a sua disseminação é crucial.

Quando uma pandemia é declarada?

De acordo com a descrição da OMS das fases de uma pandemia, o novo coronavírus estaria a um passo de se tornar uma.

Primeiro, porque está se espalhando entre seres humanos e por já ter sido detectado em uma série de países vizinhos da China, além de outros mais distantes.

A pandemia aconteceria se houvesse o aparecimento de surtos localizados em diversas regiões do mundo ao mesmo tempo.
Qual a probabilidade de que isso aconteça?

Ainda não se sabe com precisão a gravidade do novo coronavírus e em que proporção ele irá se propagar.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirma que a disseminação fora da China, no momento, parece ser "mínima e lenta".

Há mais de 17 mil casos confirmados e 360 mortes, a maioria na China.

Fora do país asiático, há mais de 150 casos confirmados e uma morte, nas Filipinas.

"Se investirmos em lutar contra a doença no epicentro (do surto), na fonte, a disseminação para outros países será mínima e lenta", disse Ghebreyesus em uma reunião do Conselho Executivo da OMS nesta segunda-feira (03/02).

Cada pandemia é diferente e, até que o vírus comece de fato a circular globalmente, é impossível prever totalmente seus efeitos.

Especialistas acreditam que o novo coronavírus — que, de acordo com os dados mais recentes, matou cerca de 2% dos infectados — possa ser menos letal do que outras doenças que protagonizaram surtos recentes de vírus da mesma família, como a Síndrome Respiratoria Aguda Grave (9,5%), a Sars, e a Síndrome Respiratória do Oriente Média (de 35%), que ficou conhecida como Mers.

A decisão da OMS de declarar emergência global veio do fato de que a doença tem sido transmitida entre humanos fora da China e a possibilidade de que possa atingir países com sistemas de saúde frágeis.


Apesar de a instituição recomendar aos países que tomem medidas para prevenir o aparecimento da doença ou limitar seu contágio, ela também destacou que, por ora, não avalia que haja necessidade de limitar viagens ou o comércio internacional.

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