Coronavírus: Unifacs é interditada por atender alunos e descumprir decreto


Prefeitura mandou fechar faculdades a partir desta quarta; campus da Tancredo Neves tinha até filas

O campus da Universidade Salvador (Unifacs) que fica Avenida Tancredo Neves, no Caminho das Árvores, foi interditado por órgãos da prefeitura na manhã desta quarta-feira (18). A instituição realizava atendimentos presenciais para alunos, como matrículas e pendências financeiras, o que foi proibido por decreto assinado pelo prefeito ACM Neto.
O documento, que tem medidas que entram em vigor nesta quarta, ordena que instituições de ensino da rede particular suspendam suas atividades para evitar aglomeração e contágio do novo coronavírus. Além disso, parques, academias e espaços culturais como teatros e cinemas também devem permanecer fechados.
Nesta manhã, uma força-tarefa montada pela administração municipal, que contou com equipes da Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Urbanismo (Sedur), fiscalizou instituições para monitorar o cumprimento das medidas de prevenção. Embora tenha suspendido as aulas, o campus da Unifacs permaneceu recebendo alunos, o que gerou filas. 
"Esse fluxo de agendamento estava provocando aglomeração, o que não podemos permitir. Unidades de ensino podem realizar atividades internas, desde que não envolva público externo e não gere aglomerações", explicou o diretor de Fiscalização da Sedur, Átila Brandão Júnior.
Questionada pelo CORREIO, a Unifacs garantiu que, apesar de ter sido interditada, não descumpriu a determinação da prefeitura. “A Universidade Salvador – Unifacs está atenta e seguindo as orientações dos órgãos competentes.  Atendeu imediatamente ao decreto de suspensão de aulas presenciais em todas as unidades, a fim de evitar um volume grande de pessoas em circulação e manter somente áreas essenciais para funcionamento de algumas atividades", disse por meio de nota.
"Como uma instituição que segue estritamente o disposto pelos órgãos competente, a Unifacs está cumprindo a determinação de fechamento dos campi também para o atendimento ao público, como orientado hoje pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano”, completou.

Nos trinta minutos em que a reportagem permaneceu em frente à unidade, o fluxo de alunos buscando atendimento foi baixo. Por volta de dez estudantes tentaram atendimento e já encontraram os portões fechados. "Vim resolver uma pendência financeira, até porque eles mandaram mensagem avisando do horáro de atendimento. Espero que consigam resolver online", contou a estudante de Engenharia Civil, Bruna Brito, 24 anos. 

Outra das demanda que gerou bastante procura na porta da instituição foi a entrega de documentos para matrícula de alunos através do Programa Universidade para Todos (Prouni). "Tínhamos o prazo até sexta, agora não sei mais como vão fazer. Espero que a gente não perca a vaga", disse a estudante Vanessa Carvalho, 21, aprovada para o curso de Nutrição. Após a interdição, quem buscou atendimento precisou deixar o contato com um funcionário da universidade, ainda no portão, para que a demanda fosse resolvida remotamente. 
Ações
Ao CORREIO, a Unifacs informou que ações de atenção e combate ao Coronavírus têm sido tomadas pela instituição, que instaurou um comitê interno para tratar as questões desde fevereiro. "Importante salientar que diversas iniciativas foram adotadas para garantir o atendimento do aluno neste período de suspensão de aulas presenciais, tais como intensificação da limpeza de banheiros, pisos, corrimãos e maçanetas, atendimentos somente por agendamento, distância mínima entre as pessoas, disponibilização álcool em gel 70% nas áreas comuns dos prédios, escalas de revezamento e avaliação de antecipação de férias, bem como uso de banco de horas, home office para colaboradores com recursos e definidos pelo gestor imediato, tudo de acordo com as recomendações do Ministério da Saúde", alegou a instituição. 

De acordo com a Sedur, estabelecimentos que forem flagrados descumprindo o decreto por mais de uma vez podem sofrer punições mais graves.“Fizemos notificação prévia nos últimos dois dias para que os estabelecimentos não abrissem a partir de hoje, quando o decreto começa a valer. Se a gente encontrar qualquer tipo de atividade nesses estabelecimentos, que devem estar fechados, interditaremos imediatamente. Caso haja reincidência, automaticamente faremos a cassação do Termo de Viabilidade de Localização (TVL) e do alvará de funcionamento”, acrescentou Átila Brandão.
A força tarefa conta com apoio da Guarda Civil Municipal (GCM), além da Vigilância Sanitária de Salvador. No final do dia, um balanço com os números do ínico dos trabalhos será divulgado pela Sedur.
* Com orientação da subeditora Clarissa Pacheco

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