Portal Euclidense: Bahia tem cinco das 10 cidades mais vulneráveis à covid-19 do Brasil

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sexta-feira, 29 de maio de 2020

Bahia tem cinco das 10 cidades mais vulneráveis à covid-19 do Brasil


Grande número de idosos, população vivendo na vulnerabilidade social e poucos equipamentos disponíveis para atender pacientes infectados pelo novo coronavírus são uns dos motivos que levam cinco cidades baianas ao topo do ranking dos municípios brasileiros mais vulneráveis à doença.

De acordo com Índice de Vulnerabilidade dos Municípios (IVM), criado pelo Instituto Votorantim, Wanderley, Ibirataia, Ubaitaba, Sítio do Quinto e Jussiape estão entre as 10 que mais podem sofrer com o avanço da doença no Brasil. 

O IVM é composto por dezoito indicadores distribuídos em cinco pilares temáticos que abrangem dados relacionados a população vulnerável, economia local, estrutura do sistema de saúde, organização do sistema de saúde e capacidade fiscal administração pública.

Para cada indicador e pilar temático, foram atribuídos pesos de acordo com sua relevância no contexto da pandemia. Acesse o levantamento completo aqui.

Todas os municípios baianos citados possuem menos de 20 mil habitantes e, juntos, contabilizam 35 casos confirmados e duas mortes. Dois deles estão situados na microrregião de Ilhéus e Itabuna, espaço geográfico que, atualmente, preocupa a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) devido a rápida expansão do vírus.

Wanderley

Na cidade de Wanderley,  a mais vulnerável da Bahia e a segunda do país, não há nenhum caso confirmado da doença. De acordo com dados do levantamento, por lá, 72% dos 12 mil habitantes estão inscritos em algum programa social do governo federal destinado a pessoas que vivem na pobreza ou na extrema pobreza.

Quando se fala em dependência do serviço de saúde quase todos os moradores, ou 99,53%, não têm plano de saúde e o serviço público é a única alternativa. Os idosos são menos da metade da população, algo em torno de 12%, mas 52,21% dos wanderleenses já foram internados por doenças sensíveis à covid-19.

De acordo com o secretário de Saúde, Joseilton de Jesus, o município conta com três respiradores para os casos considerados moderados da doença. Em casos mais graves, quando o paciente precisa de cuidados de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), a ajuda está em Barreiras, distante cerca de duas horas. 

O isolamento social por lá, segundo dados da plataforma InLoco divulgados na quarta (27), é de 37,2%, o que coloca a cidade em um patamar mediano comparado a outras cidades da Bahia. 

“Se o paciente precisasse somente de observação ou até mesmo de um respiradore teríamos o suporte para ele. No caso de UTI, a regulação seria para Barreiras. Tivemos uma boa adesão [do isolamento social], mas, no momento, paira em alguns a sensação de que tudo está normal, sendo que estamos entrando em um momento mais difícil, pois temos cidades a 40 km com casos confirmados”, comentou. 

A cidade passa por restrições como controle de entrada na cidade, com barreiras sanitárias que funcionam 24 horas desde o início de março, além de toque de recolher a partir das 20h. 

Ubaitaba

Em Ubaitaba, na região Cacaueira, a situação é mais complicada. Com 22 casos confirmados e uma morte, não há nenhum respirador disponível para dar suporte aos cerca de 19 mil habitantes.

A cidade é a 7° mais vulnerável do Brasil. Na microrregião de Itabuna-Ilhéus, onde ela está situada, são 13 ventiladores e respiradores para cada 100 mil habitantes.  

"Nós temos um respirador apenas na ambulância da SAMU e estamos tentando conseguir uma sala de estabilização, para que o paciente possa ser establizado até ser transferido para outro lugar, como Itabuna, a cidade referência mais próxima para dar suporte", disse a prefeita Suka (PSB).

Veja as 10 cidades mais vulneráveis:
Mojuí dos Campos – PA
Wanderley – BA
Ibirataia – BA
Sítio do Quinto – BA
Jussiape – BA
Delmiro Gouveia – AL
Ubaitaba – BA
São Francisco – MG
São Raimundo Nonato – PI
Faro – PA 

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