Portal Euclidense: Dono da Havan é condenado por fake news contra o reitor da Unicamp

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terça-feira, 26 de maio de 2020

Dono da Havan é condenado por fake news contra o reitor da Unicamp


Ele deve pagar R$ 20,9 mil de indenização e publicar retratação

O empresário Luciano Hang, um dos aliados mais vocais do presidente Jair Bolsonaro, foi condenado pela Justiça de São Paulo a pagar R$ 20,9 mil de indenização ao reitor da Unicamp, Marcelo Knobel.
Segundo o Uol, o dono da rede de lojas Havan usou o Twitter em 24 de julho do ano passado para dizer que o reitor da Unicamp gritara "Viva la Revolução" durante uma formatura. Hang atribuia a informação a um amigo.
"E depois dizem que nossas universidades não estão contaminadas? Vá pra Venezuela, Reitor FDP", completou ele no post, que foi curtido por cino mil e trezentas pessoas.
Agora, o juiz Mauro Iuji Fukumoto, da 1ª Vara da Fazenda Pública de Campinas, considerou que a história é mentira. "O reitor não gritou 'Viva la revolução' em uma cerimônia de colação de grau", afirma na decisão.
O reitor, que é professor de física, disse à Justiça que sequer esteve em alguma formatura no período.  "Não compareci a nenhum evento de formatura no final do ano de 2018, e também não proferi o citado chavão em nenhuma ocasião", afirmou "Trata-se de evidente caso conhecido de fake news".
O juiz relata que um dos integrantes da mesa deu um grito durante a formatura. Não houve consenso entre as testemunhas sobre o que exatamente foi dito. A frase correta, dizem alguns, foi "Viva a resistência". Para o magistrado, é irrelevante, contudo, o que foi dito, já que o reitor não foi a pessoa a proferir a frase.
"O fato não ocorreu como narrou o empresário. O reitor não pode ser responsabilizado por tal manifestação como se dele fosse", diz trecho da decisão.
Para o juiz, o empresário quis atribuir uma "pecha de radical e extremista" ao reitor, que seria uma pessoa "incapaz de dissociar sua suposta opção ideológica dos deveres inerentes ao cargo que ocupa", na história falsa contada por Hang.
A defesa do empresário diz que ele apenas reproduziu uma história contada por um amigo. "O senhor. Luciano Hang não cometeu nenhum ato ilícito, eis que a postagem está no âmbito de proteção da liberdade de manifestação do pensamento, ainda que fosse errônea", escreveram os advogados Murilo Varasquim e Victor Leal.
Os advogados afirmam ainda que o usod e "FDP" não foi para ofender o reitor, não devendo ser encarado literalmente. O termo não gera dano moral, dizem, não passando de "mero dissabor cotidiano a que todos estão sujeitos".
O juiz não aceitou essa linha de argumentos. Além da indenização, determinou que Hang use a rede social para se retratar, em mensagem com mesmo número de linhas da original.
Ainda cabe recurso.

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