Bolsonaro vê ‘equívoco’ de Decotteli, mas exalta ‘honradez’ do novo ministro

Bolsonaro e o novo ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli

O presidente Jair Bolsonaro publicou mensagem enigmática depois de reunião com Carlos Alberto Decotelli Silva nesta 2ª feira (29.jun.2020). O novo ministro da Educação, nomeado na última 5ª feira (25.jun), foi acusado nos últimos dias de mentir em seu currículo e de plagiar em sua dissertação de mestrado.

Bolsonaro citou “inadequações curriculares” e disse que Decotteli “está ciente de seu equívoco“, e que “não pretende ser 1 problema para a sua pasta“.

Desde quando anunciei o nome do professor Decotelli para o Ministério da Educação só recebi mensagens de trabalho e honradez. Por inadequações curriculares, o professor vem enfrentando todas as formas de deslegitimação para o Ministério. O Sr. Decotelli não pretende ser um problema para a sua pasta (Governo), bem como, está ciente de seu equívoco. Todos aqueles que conviveram com ele comprovam sua capacidade para construir uma Educação inclusiva e de oportunidades para todos“, publicou o presidente.

A cerimônia de posse de Decotelli estava prevista inicialmente para ocorrer nesta 2ª feira (29.jun), mas o Planalto informou no início da tarde que não há data para isso ocorrer.

Decotelli é oficial da reserva da Marinha. Ele presidiu o FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) de fevereiro a agosto de 2019. Nesse período, viu a CGU (Controladoria Geral da União) apontar suspeita de irregularidades em uma licitação de R$ 3 bilhões.

Desde que foi escolhido para comandar o MEC (Ministério da Educação), na última 5ª feira (25.jun.2020), vários questionamentos sobre seu passado surgiram. Eis abaixo uma relação:

As inconsistências no currículo de Decotelli chegaram a ser exaltadas pelo próprio presidente Jair Bolsonaro. Ele leu, em live na última 5ª feira (29.jun), a versão do currículo do novo ministro com os títulos posteriormente desmentidos. Assista abaixo (1min38seg):

Reprodutor de vídeo de: YouTube (Política de PrivacidadeTermos)

Decotelli foi escolhido para assumir o MEC com a missão de “pacificar” a pasta. Isso porque tinha extenso currículo, e seu antecessor, Abraham Weintraub, acumulou polêmicas com Legislativo e Judiciário.

Weintraub chamou os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) de “vagabundos“. Teve atritos com as universidades, tentou mudar o processo de escolha de reitores (mais de uma vez), gravou vídeo de guarda-chuva dentro do gabinete contra uma “chuva de fake news“, comandou 1 Enem (Exame Nacional de Ensino Médio) com erros de correções e teve que prestar depoimentos na Câmara e no Senado.

Ao informar sobre o substituto de Weintraub, o presidente Jair Bolsonaro escreveu nas redes sociais:

“Informo a nomeação do Professor Carlos Alberto Decotelli da Silva para o cargo de Ministro da Educação. Decotelli é bacharel em Ciências Econômicas pela UERJ, Mestre pela FGV, Doutor pela Universidade de Rosário, Argentina e Pós-Doutor pela Universidade de Wuppertal, na Alemanha.” 

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