Presidente da Fundação Palmares é denunciado ao MPF por racismo


As declarações do presidente da Fundação Cultural Palmares, Sérgio Camargo, com teor discriminatório contra integrantes de religiões de matrizes africanas, motivaram a Fundação Educafro a entrar com uma representação no Ministério Público Federal contra o gestor. A instituição solicita que Camargo responda pelo crime de racismo. 

O áudio com os ataques foi divulgado pelo Jornal "O Estado de São Paulo". Nele, Camargo afirma que "não vai ter nenhum centavo para macumbeiro" enquanto estiver à frente da Fundação e chama negros de "escória". 

"Tem gente vazando informações aqui para a mídia, vazando para uma mãe de santo, uma filha da p... de uma macumbeira, uma tal de mãe Baiana, que ficava aqui infernizando a vida de todo mundo. [...] Não vai ter nada para terreiro na Palmares enquanto eu estiver aqui dentro. Nada. Macumbeiro não vai ter nem um centavo", disse o presidente na gravação, segundo a Educafro.

A entidade aponta que o caso se enquadra em crime de racismo, já que demonstra discriminação ou preconceito por raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. A pena prevista nesses casos é de um a três anos de reclusão, além do pagamento de multa.

"Ao afirmar categoricamente que as religiões de matriz africana não irão receber um centavo da Fundação, Sérgio Camargo incorre na discriminação odiosa, violando o estatuto da Igualdade Racial e a Constituição Brasileira", sinalizou o advogado da Educafro, Irapuã Santana, na representação apresentada ao MPF.

O líder da Educafro, frei Davi, pede que a comunidade negra reaja às falas de Camargo. “Quem está no poder para defender nosso povo não pode ofender dessa maneira. Cabe ao Ministério Público dar uma resposta. Eles irão avaliar as medidas cabíveis", acrescentou o frei ao G1.

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