Portal Euclidense: Após acidente aéreo, Doria quer fim dos voos no Campo de Marte, em SP

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sexta-feira, 10 de julho de 2020

Após acidente aéreo, Doria quer fim dos voos no Campo de Marte, em SP


Piloto morreu na queda da aeronave que tentava pousar na pista do aeroporto localizado na zona norte de São Paulo

O governador de São Paulo João Doria (PSDB) defendeu nesta quinta-feira (9) o fim das atividades do Aeroporto Campo de Marte, na zona norte de São Paulo, um dia após um piloto morrer depois que o avião que comandava cair na Avenida Braz Leme, próximo ao aeroporto.

O piloto Paulo Magalhães Pereira, de 48 anos, morreu após a queda da aeronave.

"Mais um acidente aéreo no Campo de Marte", escreveu Doria. Reafirmo minha defesa no encerramento das atividades deste aeroporto, mantendo apenas pousos e decolagens de helicópteros. Inúmeros acidentes com vítimas já aconteceram ali. Minha solidariedade aos familiares do piloto que perdeu sua vida

A região do Aeroporto Campo de Marte, na zona norte de São Paulo, já foi marcada por acidentes de aviões pequenos. Em 2018, ocorreram duas quedas, que deixaram dois mortos e seis feridos.

Acidentes com aviões pequenos marcam região do Campo de Marte

Uma foi em 30 de novembro, quando um avião modelo Cessna 210N caiu no bairro da Casa Verde, matando o piloto, e a outra em 29 de julho, quando houve a morte do piloto e seis pessoas ficaram feridas.

Em 1995, um avião Cessna caiu sobre a Avenida Santos Dumont, próximo ao local da queda desta sexta, no bairro de Santana, matando seis pessoas. O fato ocorreu pois o piloto não conseguiu levantar voo.

Em 2003, um helicóptero caiu durante um treinamento de pouso de emergência. A queda causou um incêndio e o instrutor morreu no local.

Em 4 de novembro de 2007, um avião executivo caiu sobre quatro casas no bairro da Casa Verde. O acidente aconteceu por volta das 14h15 e houve oito mortes. Foram quatro homens, três mulheres e um bebê de nove meses.

Em 19 de março de 2016, a aeronave experimental do empresário Roger Agnelli caiu logo depois de decolar do Campo de Marte. Na ocasião, houve seis mortos, incluindo o empresário, a mulher Andrea, os dois filhos do casal, Ana Carolina e João, o genro de Agnelli, Parris Bittencourt, e sua namorada.

Além de quedas, o Campo de Marte também presenciou um helicóptero que tombou no local. Em 27 de março de 2016, um avião da FAB (Força Aérea Brasileira) tombou e duas pessoas tiveram ferimentos leves, um instrutor e uma aluna. Segundo a FAB, o vento forte do dia pode ter feito a aeronave tombar.

Prefeitos já tentaram fechar

O fim das operações no Campo de Marte é uma promessa antiga de governantes de todas as esferas, sobretudo diante do registro de acidentes no local e nos bairros vizinhos nos últimos anos.

O governo Jair Bolsonaro incluiu o local no plano federal de privatizações, com leilão previsto para o segundo semestre de 2022. O prefeito Bruno Covas (PSDB), entretanto, já havia cobrado da União no início do ano passado o cumprimento da promessa anterior, de transformar o aeroporto em museu e parque.

Em agosto de 2017, por exemplo, o então prefeito e hoje governador de São Paulo, João Doria (PSDB), firmou com o então presidente Michel Temer acordo sobre o local. A União se comprometeu a ceder 400 mil m² do terreno ao Município para um projeto que incluiria um museu aeroespacial, um parque e, por último, o fim das operações de aviação executiva.

Após encontro com Temer, Doria anunciou o fim das operações do terminal para 2020. Ele defendeu ainda a desativação da pista, dizendo que vários aeroportos funcionais em implementação no entorno da capital poderiam substituir o Campo de Marte, que ficaria só com a aviação de helicópteros. Mas a possibilidade de repassar decolagens e pousos de aviões de pequeno porte para outras cidades que travou negociações.

Antes disso, em maio de 2013, o então prefeito Fernando Haddad (PT) fez pedido oficial à Aeronáutica para tirar a asa fixa de lá. Ele queria viabilizar a construção dos prédios do Arco do Futuro, projeto urbanístico prometido na campanha. A ideia era transformar o Campo de Marte apenas em heliporto.

Os antecessores Gilberto Kassab, José Serra e Celso Pitta também cogitaram transformar a área em parque. O principal problema é que o espaço é gerido pela Aeronáutica e Infraero, ligados ao Ministério da Defesa, que briga na Justiça desde 1958 com São Paulo pelo terreno.

O acidente

Segundo informações, não havia mais passageiros na aeronave. O avião decolou de Ubatuba, no litoral norte de São Paulo, com destino ao aeroporto de Campo de Marte, localizado em Santana, na zona norte.

De acordo com testemunhas, o avião perdeu altitude, tentou arremeter, mas logo em seguida despencou e por pouco não atingiu os carros e pessoas que caminhavam e andavam de bicicleta na ciclovia.

Um homem que passava pelo local afirmou à Record TV que viu a queda da aeronave e quase foi atingido. Ele sofreu uma queimadura na mão, após o avião explodir. Sete viaturas do Corpo de Bombeiros foram enviadas para o local do acidente. O fogo na aeronave foi apagado meia hora depois.

A CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) fez um isolamento na avenida Braz Leme, no perímetro do acidente, e o trânsito foi bloqueado no dois sentidos da via. As causas da queda ainda são desconhecidas e serão investigadas pelo Seripa (Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos).

De acordo com o registro junto à Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) a documentação do avião está regular, e o dono da aeronave tem autorização para realizar serviços aéreos privados, que não incluem operação de táxi aéreo.

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