Portal Euclidense: Jovem internada após cárcere de 5 meses morre na BA: 'Quando matam uma de nós, matam todas nós', diz tia da vítima

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18/12/2020

Jovem internada após cárcere de 5 meses morre na BA: 'Quando matam uma de nós, matam todas nós', diz tia da vítima

Vítima estava internada há dois meses por causa das agressões. Suspeito é adolescente de 17 anos, que é procurado pela polícia e deve responder por feminicídio.

A jovem Joanina Barbosa, de 22 anos, que passou cinco meses em cárcere privado pelo companheiro, um adolescente de 17 anos, na cidade de Caravelas, extremo sul da Bahia, morreu na noite de quinta-feira (17). Ela estava internada há dois meses por causa das agressões cometidas por ele.

O G1 conversou com a família da vítima nesta sexta-feira (18), que cobrou resposta da Justiça sobre o caso. O suspeito é procurado pela polícia. Segundo a delegacia da cidade, ele deve responder por feminicídio. A filha de Joanina, que tem 7 anos, e também estava no cárcere, está com a família.

“Ela piorou de saúde nos últimos dias. Estava entubada e os órgãos pararam de funcionar. Minha sobrinha morreu e o bandido está protegido. Eu sinto que a gente, como mulher, está desprotegida”, disse Edileusa Soares, tia da vítima.

“Eu sempre via isso [feminicídio] pela televisão, agora estou vivendo na pele. Sentindo também o desamparo da Justiça. Ele não tinha o direito de tirar a vida dela”.

Para Edileusa, a cada feminicídio registrado, todas as mulheres também morrem um pouco. Emocionada, a tia de Joanina falou sobre a falta de respostas relacionadas ao caso e sobre a filha da vítima.

“Eu, como mulher, sinto que a gente está desprotegida. A Justiça não deixa divulgar a foto dele, porque ele é menor de idade. Minha sobrinha ficou quase dois meses internada, desse tempo todo ninguém deu uma resposta para a gente. A família está dilacerada. Essa situação não pode continuar. A filha dela não sabe o que tá acontecendo, mas sente”.

"Quando eles matam uma de nós, não matam só a vítima, matam todas nós", disse a tia da vítima.

A família ainda não tem uma previsão com relação ao enterro do corpo de Joanina, porque o suspeito fugiu com os documentos dela. Com isso, a família aguarda a disponibilidade da Polícia Técnica para fazer o reconhecimento. Enquanto isso, o corpo da vítima segue no Instituto Médico Legal (IML).

“Ele sumiu com o documento dela, agora a gente tem que esperar para reconhecer a digital e poder liberar o corpo dela. É mais uma humilhação. Foi agredida, morta e a gente ainda tem mais essa humilhação para enterrar ela”.

Caso

O caso só foi descoberto no início de novembro, quando o suspeito resolveu sair de bicicleta e levou Joanina na garupa. Ela conseguiu pular do veículo, mas o adolescente deu vários golpes em Joanina com um facão.

Joanina foi socorrida por moradores, que chamaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). O suspeito fugiu do local.

A vítima estava muito machucada, também por causa das agressões anteriores, e precisou ser foi hospitalizada. Joanina já havia sido brutalmente agredida pelo companheiro com diversos objetos, como cabo de vassoura, fio e até uma barra de ferro.

Segundo familiares, o motivo das agressões teria sido ciúmes. Além de agredir a vítima e a filha dela, o suspeito também proibia ela de ver parentes, até encarcerar totalmente a jovem por cinco meses.

A jovem chegou a ser levada para Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Teixeira de Feitas. No entanto, dias depois, precisou ser transferida para o hospital da cidade por causa da gravidade dos ferimentos.

G1 Bahia.

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