Portal Euclidense: Bolsonaro diz que não é atribuição do governo levar oxigênio para o Amazonas

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sábado, 30 de janeiro de 2021

Bolsonaro diz que não é atribuição do governo levar oxigênio para o Amazonas

Presidente defendeu ainda a atuação do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, dizendo que ele faz um 'trabalho excepcional'. Estado sofre com falta de oxigênio e superlotação de unidades.

O presidente Jair Bolsonaro disse neste sábado (30) que "não é competência" e "nem atribuição" do governo federal levar oxigênio para o Amazonas, que sofre com a falta do insumo para atender pacientes da Covid-19. Bolsonaro elogiou ainda a atuação do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, dizendo que "não há omissão" diante da crise.

De acordo com o presidente, o governo federal enviou recursos financeiros para o estado enfrentar a crise. "Não é competência nossa e nem atribuição levar o oxigênio pra lá, demos os meios", disse Bolsonaro.

Bolsonaro afirmou ainda que a chegada dos primeiros cilindros de oxigênio enviados pelo governo federal aconteceu seis dias depois que o ministro da Saúde tomou conhecimento do caso.

"Agora, ele (Pazuello) ficou sabendo em uma sexta-feira do problema do gás e na segunda foi em Manaus, na terça programou tudo e na quarta começou a chegar já o oxigênio lá com aviões da força aérea e balsa. Logo depois ele começou a transportar o pessoal doente também de Manaus para outras capitais aí da redondeza em especial para os hospitais universitários", completou.

Para o presidente, o ministro, que está em Manaus após ser alvo de pedido de inquérito por omissão na crise de oxigênio, fez um "trabalho excepcional".

"Ele trabalha de domingo a domingo, vira a noite, duvido que com outra pessoa teria tido a resposta que ele está dando", afirmou.

A Polícia Federal iniciou uma investigação sobre a conduta do ministro na crise sanitária do Amazonas. O ministro enviou 120 mil unidades de hidroxicloroquina, que não tem eficácia comprovada contra a Covid-19.

Até a manhã deste sábado, 335 pacientes com Covid-19 foram transferidos do Amazonas a outras 13 cidades brasileiras por conta do colapso causado por superlotação e falta de oxigênio no sistema de saúde local. Infelizmente, 11 pessoas não resistiram à doença e morreram.

O Governo do Amazonas começou a enviar pacientes com Covid a outros estados no dia 15 de janeiro. A medida passou a ser adotada após hospitais do Amazonas ficarem sem oxigênio por conta da superlotação.

O estado enfrenta um novo surto de Covid-19 e o sistema de saúde local entrou em colapso mais uma vez. Pazuello afirmou que a expectativa é enviar 1,5 mil pacientes para tratamento em outros estados.

Segundo o governo estadual, 90 pacientes que foram transferidos para tratamento em outros estados já retornaram ao Amazonas recuperados da Covid-19. O governo estadual informou que os pacientes recuperados retornaram das cidades de Belém (PA), Maceió (AL), João Pessoa (PB), Uberaba (MG), Natal (RN), Teresina (PI), São Luís (MA), Brasília (DF) e Goiânia (GO).

O número de óbitos corresponde a 3% do total de pacientes enviados para tratamento em outro estado. O governo informou que tem prestado apoio psicossocial às famílias, providenciado os trâmites funerários e traslado do corpo para Manaus, que são realizados em aviões da Casa Militar.

Até então, as cidades que receberam pacientes do Amazonas, desde o dia 15 deste mês, foram: Teresina/PI (23), São Luís/MA (39), Brasília/DF (15), João Pessoa/PB (15), Natal/RN (41), Goiânia/GO (48), Belém/PA (23), Maceió/AL (30), Vitória/ES (36), Recife/PE (27), Rio Branco/AC (3), Uberaba/MG (18) e Curitiba/PR (17).

AM voltou a ter colapso na pandemia

Até sexta-feira (29), mais de 261 mil casos de Covid foram confirmados no Amazonas, e mais de 7,7 mil pessoas morreram com a doença desde o começo da pandemia. Atualmente, mais de 2 mil pessoas estão internadas com a doença.

O mês de janeiro deste ano já tem o maior número de novas internações por Covid desde o começo da pandemia. Até então, abril e maio registravam os recordes da doença, quando o estado passou pela primeira onda.

Na época, também houve colapso no sistema público de saúde e, ainda, no sistema funerário. O número de mortes em Manaus ficou 108% acima da média histórica e caixões chegaram a ser enterrados empilhados e em valas comuns na capital.

O governo afirmou que, entre o fim de outubro e início de novembro, ampliou em 155% o número de leitos exclusivos para pacientes com Covid. Porém, a quantidade de novos casos foi tão alta que nem essa ampliação conseguiu atender os doentes.

Nos dias 14 e 15 deste mês, Manaus viveu tristes cenas de caos na Saúde por conta de falta de oxigênio nos hospitais. O governo informou que a média de 30 m³ subiu para 70³ em poucos dias, e ultrapassou a capacidade de fornecimento da empresa contratada.

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