Portal Euclidense: Tanzânia nega a pandemia e não vacina seus cidadãos 

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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Tanzânia nega a pandemia e não vacina seus cidadãos 

O governo da Tanzânia, na África Oriental, vem há meses adotando uma postura muito diferente da adotada pelo resto do mundo. Hoje, o discurso oficial é de que o país está livre da Covid-19.

Por conta disso, os tanzanianos não estão sendo testados para o Sars-Cov-2 e o governo não desenhou um plano de vacinação. Ao invés disso, a ministra da saúde do país, Dorothy Gwajima, deu uma entrevista coletiva para ensinar a fazer uma espécie de “vitamina de vegetais”, que seria eficaz contra o vírus, mas sem fornecer evidências científicas disso.

Entretanto, familiares de pessoas que morreram padecendo de sintomas conhecidos da Covid-19, como tosse seca, dores no corpo e ausência de paladar e olfato, sugerem que a situação é diferente e o país passa por um surto da doença.

Porém, o governo do presidente John Magufuli proíbe veementemente que seja feita qualquer denúncia. Isso faz com que muitas famílias que perderam algum membro, escondam este fato ou neguem a relação entre as mortes e a pandemia.

Presidente negacionista

John Magufuli declarou em junho de 2020 que a Tanzânia estava “livre da Covid-19″ e, desde então, junto com a alta cúpula do governo, vem desencorajando qualquer medida de combate à pandemia.

Além de zombar da eficácia das máscaras, duvidar do funcionamento dos testes RT-PCR e ironizar países vizinhos que tomaram medidas duras para evitar a disseminação do vírus, Magufili também não acredita na eficácia das vacinas.

Sem provas, o mandatário vem disseminando que os imunizantes são prejudiciais à saúde, propondo métodos alternativos sem comprovação científica, como inalação de vapor e medicamentos fitoterápicos.

A posição é endossada pela ministra da saúde. De acordo com ela, a pasta possui “seu próprio procedimento sobre como receber quaisquer medicamentos – alternativos e sem eficácia comprovada – e o fazemos depois de nos satisfazermos com o produto”.

Igreja Católica reage

Apenas o presidente, a ministra da saúde e outras três pessoas da alta cúpula do governo tanzaniano podem falar sobre o coronavírus no país. Porém, em uma resposta inédita, a Igreja Católica resolveu alertar a população sobre cuidados para evitar a propagação do vírus.

De acordo com os religiosos, o número de celebrações de missas de sétimo dia tem subido exponencialmente, o que denota que alguma coisa está fora do normal. “Estávamos acostumados a ter uma ou duas missas por semana nas paróquias urbanas, mas agora temos missas diárias”, disse o padre Charles Kitima.

“A covid não acabou, a covid ainda está aqui. Não vamos ser imprudentes, precisamos nos proteger, lavar as mãos com água e sabão. Também temos que voltar a usar máscaras”, alertou o bispo Yuda Thadei Ruwaichi, da Diocese de Dar es Salaam.

Em resposta, o governo da Tanzânia classificou as declarações como “alarmistas”.

Possível mudança de postura

Apesar de negar a existência do coronavírus no país e não fazer uma contagem oficial, o governo da Tanzânia acabou voltando atrás em uma de suas posturas, o uso de máscaras.

Isso aconteceu em janeiro, após dois dinamarqueses que visitaram o país terem testado positivo para a variante sul-africana do Sars-Cov-2, que é mais transmissível, após retornarem à sua terra natal.

Na ocasião, Magufili culpou os tanzanianos que viajaram para o exterior de “importar um corona novo e estranho”. Na mesma semana, o secretário permanente do Ministério da Saúde, Mabula Mchembe visitou dois hospitais no país, mas sem usar máscara ou respeitar o distanciamento social. 

Entretanto, segundo ele, os pacientes teriam problemas respiratórios relacionados à hipertensão, insuficiência renal ou asma, mas nada ligado ao coronavírus. 
 

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