Portal Euclidense: Saiba o que é Afasia Progressiva Primária, doença rara que causou a morte de Alicinha Cavalcanti

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03/08/2021

Saiba o que é Afasia Progressiva Primária, doença rara que causou a morte de Alicinha Cavalcanti

Nesta última segunda-feira (2), morreu a promoter Alicinha Cavalcanti, de 58 anos, que realizava o tratamento contra uma afasia progressiva primária desde 2015. A informação foi confirmada em publicações das apresentadoras Marília Gabriela e Astrid Fontenelle, amigas de Alicinha.

"Foi supercombativa em sua luta contra a infelizmente invencível Afasia Progressiva Primária. Lutou e lutou até hoje pela manhã", escreveu Marília. "Perdi hoje minha amiga mais sapeca e deliciosa. Mulher forte. Mulher amorosa", destacou Astrid, ao mostrar uma foto em que apareceu com Alicinha, uma das promotoras de eventos mais famosas do Brasil.


afasia progressiva primária, também conhecida pela sigla APP, é uma síndrome neurodegenerativa, considerada rara, que acomete a parte frontotemporal do cérebro —até por isso, faz parte das demências frontotemporais. Geralmente, a APP ocorre entre 45 e 65 anos.

"A característica de uma doença degenerativa é que a tendência é sempre de piora, com ou sem tratamento", explica Danillo Vilela, neurocirurgião e mestre em Ciências pela USP (Universidade de São Paulo). No caso da afasia progressiva primária, a pessoa apresenta a perda progressiva e predominante da linguagem, ou seja, a comunicação vai ficando mais difícil.

Não há cura e nenhum medicamento específico para a APP. Os remédios utilizados servem para controlar os sintomas, além das atividades de reabilitação, como fisioterapia e fonoaudiologia —todas medidas paliativas.

Mas ninguém morre de um quadro de demência. O problema, na verdade, são as complicações da doença. "Com a progressão do quadro demencial, a pessoa vai perdendo a capacidade de autocuidado. Ela precisa da sonda de alimentação, fica acamada e tudo isso aumenta risco de processo de infecção e, consequentemente, do comprometimento de alguns órgãos", diz Vilela.

Qual a relação com a ELA?

De acordo com a Folha de S.Paulo, além da APP, a promoter também tinha o diagnóstico de ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica), que, diferente da afasia, afeta a região da medula espinhal, causando um grande comprometimento físico e não mental —mas ambas são degenerativas.

"Com o tempo, na ELA, a pessoa também vai perdendo a capacidade de falar e também apresenta dificuldades para engolir", explica o médico. Além disso, é uma doença que atinge pessoas mais jovens, antes dos 50 anos.

Também diferente da afasia, a ELA possui um medicamento específico que auxilia no tratamento, com valor de alto custo, mas que ajuda apenas a retardar a progressão da doença, e não a sua cura.

Ambas doenças, a ELA e a afasia progressiva primária, envolvem mutações genéticas, mas têm causas desconhecidas.

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