Portal Euclidense: Reverendo Amilton nega relação com Ministério da Saúde e autoridades

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03/08/2021

Reverendo Amilton nega relação com Ministério da Saúde e autoridades

O reverendo Amilton Gomes de Paula, que estava envolvido nas negociações da Davati Medical Supply com o Ministério da Saúde por vacinas da AstraZeneca, negou ter conhecimento prévio de autoridades da pasta e que conseguiu agenda para fazer oferta por email.

O representante oficial da Davati no Brasil, Cristiano Carvalho, do diretor de Imunização do Ministério da Saúde, Laurício Monteiro Cruz, e Amilton aparecem em e-mails divulgados pelo Jornal Nacional, da TV Globo, negociando vacinas anticovid a um preço 3 vezes maior do que foi pago anteriormente pelo governo federal.

Os e-mails mostram que Cruz deu aval para o reverendo e a Senah (Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários), a qual ele presidia, negociarem a compra de 400 milhões de doses da vacina da AstraZeneca por US$ 17,50 a dose. Em janeiro deste ano, o Ministério pagou US$ 5,25 pela dose do mesmo imunizante.

À CPI, Amilton disse que não tinha nenhuma relação com Laurício. Diversas vezes questionado sobre suas relações políticas com o governo e com a pasta, mas negou que tivesse esse tipo de acesso. Ele, entretanto, é apontado como quem abriu as portas da Saúde para os vendedores da Davati.

O caso veio à tona quando o vendedor Luis Paulo Dominghetti acusou o ex-secretário de logística do ministério Roberto Dias de pedir propina de US$ 1 por dose das vacinas a serem negociadas.

Em seu depoimento, Amilton declarou que conseguiu agenda no ministério depois de pedir o encontro por e-mail. Segundo ele, se encontrou com representantes da SVS (Secretaria de Vigilância em Saúde) no mesmo dia. O fato também foi amplamente questionado pelos senadores.

O reverendo declarou que foi procurado por Dominghetti para vender ao ministério 400 milhões de doses da vacina da AstraZeneca. Teria sido depois de receber essa oferta do cabo da PM, de cada dose a US$ 3,97 e com entrega em até 8 dias, ele foi ao encontro do Ministério da Saúde.

“Na 1ª reunião, quando Dominguetti veio a Brasília, em 16 de fevereiro, ele abriu essa exposição desse lote de 400 milhões, ele fez uma reunião com a Diretoria da Senah. E nós fizemos uma reunião preliminar, estudamos essa questão da vacina que estava à disposição –era uma quantidade muito grande– e, no 1º momento, assim nós, do dia 16, fizemos uma reunião dia 17, fizemos uma reunião também dia 18, e nós decidimos fazer esse encaminhamento. E esse encaminhamento foi feito, sim, por e-mail. Nós fizemos esse encaminhamento para o SVS. Fizemos uma pesquisa pela internet e encaminhamos para o SVS.”

Amilton foi pressionado a explicar como conseguiu acesso tão fácil à SVS e ele insistiu que teria sido apenas por e-mail. O Ministério da Saúde teria respondido e aceitado o encontro: “Eu sou de Brasília, o Ministério da Saúde fica aqui na Esplanada e a SVS fica no PO. Ela não fica aqui, então, nós encaminhamos um e-mail para a SVS. Dia 22, fomos respondidos para encaminhar essa demanda e a reunião aconteceu no dia 22 de fevereiro na SVS”.

Diante da explicação, o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), ironizou: “O senhor então mandou um e-mail às 12h, apontou o horário de que a reunião teria que ser às 16h30, às 16h30 já foi recebido. Eu queria essa eficiência do serviço público para a Pfizer”. Depois, Amilton disse que o e-mail não foi respondido, mas ele foi até o ministério ainda assim e foi recebido.

O reverendo também foi questionado sobre se conhecia autoridades ligadas ao presidente Jair Bolsonaro, como os filhos e a 1ª dama, Michele Bolsonaro. Ele também negou que tivesse relação com as autoridades. Depois admitiu que foi filiado ao PSL e que fez campanha para Bolsonaro em 2018. Há 2 anos, Amilton de Paula publicou em seu LinkedIn uma foto ao lado do senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ).

 

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